24/01/1887: A Noite em que Conan Doyle Cruzou o Véu


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Da Redação

Enquanto o mundo o aclamava como o mestre da lógica dedutiva e do materialismo científico através de sua criação, Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle escondia uma faceta que, para muitos de seus contemporâneos, parecia elementarmente contraditória. No dia 24 de janeiro de 1887, o autor deu um passo decisivo em uma jornada que definiria a segunda metade de sua vida: o início das sessões espíritas com o médium Ball.

 O Cenário da Investigação

Diferente do que muitos imaginam, Doyle não mergulhou no espiritualismo por ingenuidade ou luto repentino. Em 1887, ele era um jovem médico em Southsea, dotado de uma mente inquieta e profundamente influenciada pelo racionalismo vitoriano. No entanto, a rigidez do materialismo da época não respondia às suas perguntas existenciais.

As sessões com o médium Ball não foram apenas eventos sociais, mas sim experimentos. Doyle abordou a mediunidade com o mesmo rigor que aplicava aos diagnósticos médicos:

 Observação direta: Ele buscava evidências físicas de comunicação.

 Ceticismo inicial: O autor frequentemente testava os médiuns para descartar truques de ventiloquismo ou prestidigitação.

 Registro meticuloso: Cada fenômeno era anotado e analisado sob a ótica da probabilidade.

 Do Ceticismo à Conversão

Foi nessas primeiras reuniões de janeiro que Doyle começou a testemunhar o que descreveu como "evidências inteligíveis". Embora ele ainda levasse anos para se declarar publicamente um espiritualista fervoroso, as sessões com Ball plantaram a semente da dúvida sobre a finitude da morte.

Para Doyle, se a alma pudesse ser provada através do método científico, o Espiritismo não seria uma religião, mas sim uma "ciência das coisas espirituais".

 O Legado de uma Data

O encontro de 24 de janeiro de 1887 marca o início da transição de Doyle de um "observador curioso" para o futuro "Apóstolo do Espiritismo". Ironicamente, enquanto Holmes dizia que "uma vez excluído o impossível, o que resta, por mais improvável que seja, deve ser a verdade", seu criador estava convencido de que o mundo espiritual era a verdade que restava após esgotar todas as explicações materiais.

"O assunto do Espiritismo é, na minha opinião, o mais importante no mundo, e vale qualquer sacrifício para que se possa chegar à verdade sobre ele."

 — Sir Arthur Conan Doyle

 


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